O empresário Daniel Assafim, nascido em Niterói, Rio de Janeiro, é um exemplo de empreendedorismo que transformou uma oportunidade em um legado sólido no setor de saúde. Com raízes simples, filho de funcionária pública e neto de uma manicure, Assafim, há quase 13 anos, fundou o Grupo Quality, empresa de homecare e cuidados de saúde. Hoje, casado com Silvia Martínez Assafim e pai de três filhos, ele reflete sobre sua jornada desde os primeiros passos na educação até as conquistas recentes do grupo.

Daniel Assafim trilhou sua jornada educacional em Niterói, passando por escolas locais e posteriormente ingressando na faculdade. Inicialmente, cursou Economia na Faculdade Cândido Mendes, mas sua busca pelo conhecimento o levou a concluir também Administração na Unilasalle. Essa base educacional sólida foi de extrema importância para os desafios que o empresário precisaria enfrentar. 

A ideia de fundar a empresa surgiu através de uma conversa entre a mãe de Assafim e uma amiga de infância. “Na época, no Brasil de 13 anos atrás, era uma coisa muito pouco falada. Hoje o cenário é outro”, diz. A primeira investida no negócio contava com uma terceira pessoa, além de Assafim e sua mãe, como sócia. “Quando você entra em um negócio que você não tem um conhecimento já vasto daquele setor, fica tudo muito mais complicado, tudo mais difícil, como alcançar as pessoas e alcançar esses relacionamentos. Mas, viemos com muito trabalho desde o começo. Logo essa sócia saiu da empresa e ficou só eu e minha mãe nessa jornada”, revela.

Com um investimento inicial de 22 mil reais, provenientes da avó de Assafim a Quality começou em um pequeno escritório de 20 metros quadrados no centro de Niterói. “Minha avó emprestou esse dinheiro que ela tinha juntado toda sua vida para a fundação da empresa”, conta. “Seis meses depois que abrimos, não tínhamos nem começado a ganhar dinheiro ainda, minha avó faleceu. Essa é uma das minhas grandes dores, não ter nem pagado de volta e nem podido oferecer uma vida melhor para ela, que tinha trabalhado tanto  durante toda a vida”, conta. 

No entanto, essa perda fortaleceu a determinação de Assafim em fazer a empresa prosperar. “Isso passou e viemos demonstrar para ela, como uma forma de agradecer, que trabalhamos com afinco e com um propósito. Sempre digo que não podemos só pensar na parte financeira, também temos que ter um propósito. Propósito de ajudar as pessoas, nada adianta fazer as coisas sem isso”, diz. 

A Quality começou como uma empresa de atenção domiciliar e homecare, mas ao longo dos anos, adaptou-se às demandas do mercado. Além do core business centrado no homecare, a empresa expandiu e diversificou sua atuação. “Com os movimentos de mercado, ampliamos mais esses serviços para outras ramificações, como um screening populacional, que é um estudo da carteira de beneficiários de operadores de saúde, de forma a oferecer alguns outros trabalhos, como medicina preventiva, por exemplo”, explica o empresário.

Desde o início, a Quality adotou uma abordagem diferenciada, atendendo a todo o estado do Rio de Janeiro, incluindo áreas remotas e de difícil acesso. Outro diferencial crucial foi o atendimento abrangente, desde pediatria neonatal até cuidados paliativos, cobrindo uma ampla gama de pacientes e necessidades. A Quality também atua com hospitais de transição, que servem como uma alternativa para casos pacientes em reabilitação, cuidados paliativos e também leitos intermediários. “Em 2020 tivemos a ideia do hospital de transição e em 2021 a gente concretizou”, revela. 

Redução nas internações e sinistralidade

Uma parceria estratégica da Quality com a Caberj Integral Saúde e a Seguros Unimed resultou em um projeto inovador de redução de internações hospitalares. A proposta consiste em direcionar o paciente para a linha de cuidado adequada, evitando internações desnecessárias e otimizando os recursos das operadoras de saúde. “Hospitais de grande porte tem seu papel, que é fundamental. Não somos concorrentes dos hospitais. Pelo contrário, somos um braço da linha de cuidado do paciente”, conta. “Se o paciente de fato não precisa, por exemplo, estar no CTI ,ele pode estar num leito intermediário, ou ele pode estar ainda num homecare. Isso é uma gestão de custo, a gente consegue ajudar inclusive as operadoras a resolver uma grande dor que hoje existe no mercado que é a questão da utilização errada dos recursos das operadoras. Essa é uma questão cultural no modelo atual de remuneração que precisa ser alterado”, diz. 

Segundo Assafim, encaminhar o paciente de acordo com a gravidade de seu caso e nível de cuidado demandado é algo benéfico para todos. “Um paciente idoso e frágil, por exemplo. É ruim para ele estar em uma CTI, por conta dos riscos existentes. Dessa forma, podemos alterar também os cuidados paliativos que são iniciados em pacientes que estão fora de possibilidade terapêutica e ou progressivamente debilitante, para garantir seu conforto, que também é um foco importante para a empresa e que vem ganhando força ao longo dos últimos anos”, diz. “Esses cuidados paliativos são uma área bastante importante dentro da saúde”, diz. “A sociedade precisa se conscientizar sobre isso. É um assunto velado, nunca é confortável, mas é preciso que a gente fale sobre isso com mais naturalidade. Assim a gente pode passar pelo momento da melhor forma possível”, explica. 

Olhando para o futuro, Daniel Assafim revela planos ambiciosos para a Quality em 2024. O grupo está ingressando na gestão de operadoras de saúde, abordando aspectos como regulação médica, ambulâncias e liberação de benefícios para beneficiários. “Vamos cuidar literalmente de uma gestão de ponta-a-ponta, como se fosse de fato uma operadora de saúde, mas em uma gestão compartilhada com a operadora, como uma parceria estratégica.”, revela. 

Além disso, há projetos de duplicação do hospital, criação de clínicas ambulatoriais e clínicas para pacientes autistas, consolidando a visão da Quality como uma provedora abrangente de serviços de saúde.”A ideia é montar uma rede integrada de saúde com mesmo prontuário médico onde o paciente esteja inserido na melhor linha de cuidado para seu momento de saúde, atendendo o paciente de forma completa”, conta. “Agradecemos principalmente a confiança de todos os nossos parceiros, que hoje, são as principais operadoras de saúde do mercado”, diz. 

Em entrevista para o Istoé Sua História, Assafim fala mais detalhadamente sobre os processos da Quality e sobre as novidades do Grupo. Confira o papo na íntegra: